Vitor Manuel Ambrósio, o Big Joe. Não me lembro se a grafia do nome está certa, mas a do apelido está. Neste momento penso em quem pode ter caracterizado esse apelido ao Big, ops: Vitor. Mas não lembro e acho que nem a pessoa lembra.
O Big Joe é um ser esguio com, pelo menos, 1,90 de altura e uns 100 quilos. Big - apenas para os íntimos, se é que fossemos - tem um sonho. Seu sonho é se tornar jornalista.
Nos primeiros dias do primeiro semestre de 2009 - creio que ainda indeciso com a escolha da faculdade certa -, Vitor não se apresentava na sala de aula. Dois meses após o início das aulas, seu ano letivo começara. Sempre que chegava à faculdade o mundo ao seu redor parava para adimirá-lo. Papetes pretas de número 48 dobravam os corredores, chegando primeiro que seu dono. Os dedos, cada um com bem mais de uma polegada, faziam força para manter Vitor equilibrado. Lentamente, ao abrir a porta da sala de aula, o pouco vento que soprava dos ventiladores barulhentos paravam. As bolotinhas de papel atiradas pelos alunos paravam no ar como mosquitinhos em cima do cacho de banana. Os professores, qualquer que fosse, sempre cessavam o que estavam fazendo por causa da sua presença. No silêncio, Vitor olhava, ainda da porta, todos os quatro cantos da sala e seu alunos. Mirava todos os lugares e, com sua voz grave, um pouco rouca e nasalada, dizia: "Professor... licença". Após a frase, a caminhada era feita lentamente até uma cadeira vazia. Após duas horas de prólogo – era o que me parecia -, o vento voltava a circular na sala de aula; bolotinhas de papel acertavam o alvo de seu atirador e, finalmente, o professor, com um sorriso amarelo no canto da boca, concluía o raciocínio.
"Odisséia!", foi o que me disse certa vez sobre o caminho de sua casa à faculdade. Fundi a cuca! Vitor era morador do tradicional bairro da Vila Mariana, zona sul da capital. Lá, segundo os guias e os próprios moradores, é possível encontrar de tudo e todo o tipo de serviço... Menos praia. O bairro da Vila Mariana é praticamente ao lado da Liberdade, embora a faculdade fique mais próxima ao metrô São Joaquim. As aulas começavam às oito da manhã. Mas poxa vida, ele sempre chegava atrasado. E não era por causa do trânsito, pois não vinha de carro nem de ônibus - muito menos de táxi. Ele vinha de metrô, cuja estação ficava bem próxima à sua casa. Apenas três estações o separavam da faculdade, mas mesmo assim o atraso era mantido, pois assim era o Big Joe.
...o sonho de se tornar jornalista segue no próximo capítulo!!! (preciso dormir)