
Engraçado. Nunca havia assistido Manhattan, do gênio Woody Allen. Hoje assisti graças a cópia mambembe que um amigo me emprestou, uma cópia em DVD, dessas que a gente acaba pagando dez reais ali nos recônditos da Rua Augusta. Mesmo sem nunca ter visto o filme, a coisa era familiar. As famosas pontes e os mais altos prédios já são carta marcada de filmes rodados em Nova York. Porém, a fotografia, e a decisão de Allen em fazer um filme em preto e branco são tão marcantes... cenas tão bem boladas, como na visita do protagonista Isaac (Woody Allen) ao lado da ex-futura namorada Mary (Diane Keaton)a um planetário, onde a escuridão toma conta da tela e aos poucos uma luz de fundo contorna os corpos do casal. Ou o descanso num banco ao lado da Brooklyn Bridge, cena clássica do cinema que acabo de descobrir, provando minha virgindade nos campos da película.
A resenha do filme é fácil de encontrar no Google. Não vou escrevê-la.
Manhattan foi filmado em 1979. Bons tempos aqueles para os novaiorquinos acredito eu. As torres gêmeas de arquitetura duvidosa ainda estavam lá, olhando para o capitalismo mordendo a Big Apple. Que merda!, não queria citar nada sobre isso, mas. A data do atentado completou dez anos no domingo passado e tenho certeza que, desde a data (hoje é quinta-feira), nem havia me tocado que já se passaram dez anos do derrame de sangue norte-americano. A coisa foi punk, meu amigo. Assistindo aos milhares de documentários e reportagens que aporrinharam o mês dos virgens e librianos, nota-se certa ingenuidade por parte da mídia brasileira, ao tratar do tio San como um ser bonzinho e os kamikazes árabes como senhores da destruição, senhores da guerra... sabemos que não é bem assim que a roda gira, certo? Mas isso é assunto para outro dia. Me lembro que naquele dia, pela manhã, tinha aula de geografia, com a professora Maria Impéria. Mais imperialista que os gringos... mas ela era inteligente. Eu tinha apenas 11 anos e não tinha muita noção do tamanho do estrago. Jurava que era um filme japoronga do Godzila. Ledo engano.
Mais novo, nos tempos de basquete nas quadras esburacadas da escola e do rap anos 90 – o melhor, golden era – meu sonho era conhecer Nova York. Não deem risada. A roupa larga, o jeito de andar, as gírias, os filmes apresentando as festas e a vida fácil da negrada americana me comovia. Aliás, toda a galerinha que batia a bola laranja no chão junto comigo tinha essa parada de ir para os “estates”, os negros e os branquelos, mas só os que enterravam. Um amigo meu, nascido nos EUA, morou aqui em Sampa um tempo. Jogávamos juntos, andávamos juntos, zuavamos juntos, mas como éramos muy jovens, não bebíamos... juntos. Nas férias escolares ele ia para o hemisfério norte e voltava com roupas bacanas e uns tênis irados, lembra do Jordan vermelho e branco? Por volta dos 15 anos ele voltou para Nova York e de lá não saiu mais. Antes de ir ele me fez um convite para que fosse com ele. Menino que era disse não, pois jamais deixaria a mamata que tinha em casa para morar fora. Depois de um tempinho me arrependi. Hoje me arrependo totalmente. Teria sido uma experiência e tanto. Nos falávamos pelas redes sociais da vida ou por Skype. O cara sumiu. Não sei se está vivo ou morto, se anda jogando basquete, se está gordo ou magro, se sua calvície adiantada se expandiu ou não. O cara sumiu. Sinto saudade do safado. Se recebesse um convite igual hoje, na boa, não sei se iria.
Puts! Redes sociais são ótimas ferramentas. Acabei de encontrar a professora Maria Impéria no famigerado facebook. Meu amigo já tenho na lista, mas, segundo seu mural, não comenta nada desde 2008. Ihh! Estranho. O Woody Allen tem vários perfis.



